Das dietas malucas à melhor personal trainer do Brasil


Professora de Educação Física fez do próprio corpo um “laboratório” e foi eleita a melhor profissional do País.

Clóe Celentano já viveu na pele todas as loucuras que suas alunas confessam fazer para tentar o corpo perfeito.
Ela fez dietas malucas, ficava em jejum, detestava o que via no espelho, brigava com o biótipo. Demorou um ano para ver a barriga voltar ao normal depois que os gêmeos nasceram. Coleciona duas decepções amorosas e sabe a influência delas na balança. Sabe também que às sextas-feiras é impossível resistir às taças de vinho e às escorregadas no plano alimentar. Por tudo isso… ela foi eleita a melhor personal trainer no Brasil.

“Fiz do meu corpo um laboratório e hoje, com segurança, sei dizer para os meus clientes o que funciona e o que não funciona na malhação”, diz Clóe, 38 anos, com um pouco de receio da proximidade dos 40 e que, apesar das formas harmoniosas dos seus 1,65 metro de altura e 53,5 quilos, ainda quer enxugar 1,5 quilo. “Toda mulher gostaria, não é?”, brinca.

Esta “normalidade” de Clóe – que não a impede de ter formas malhadas, saúde em dia e tempo para ser mãe, empresária e namorada – pesaram nos critérios da Sociedade Brasileira de Personal Trainer (SBPT) para eleger a melhor profissional do País. Foi a primeira edição do prêmio, que será repetido ano que vem em votação aberta. “Desta vez, ouvimos nosso conselho consultivo (formado pelos personais mais renomados brasileiros) que chegou ao nome vencedor”, explica Marcos Tadeu, fundados da SBPT e idealizador da premiação.

“Levamos em conta se a atividade de personal era exclusiva (muitos profissionais têm duplas e até triplas atividades), se ele tinha paixão pela função, se fazia cursos de capacitação e atualização constantes e também se os alunos aprovavam seus métodos, estavam satisfeitos com os resultados”, conta. “A Clóe tem clientes que estão com ela há 15 anos. Para todos que ligamos, nenhum fez uma crítica sequer. Eram só elogios.”

Escolhida a melhor profissional do País, o iG Saúde foi conhecer os segredos de malhação dela. Encontrou uma mãe de família, que come chocolate todos os dias, não gosta de fazer agachamento e testa todo e qualquer exercício em si para depois oferecer aos alunos, que vão de 13 a 79 anos. “Sou minha própria cobaia”, define.

A primeira vez que Clóe Celestiano pisou em uma academia de ginástica foi aos 15 anos. Tinha acabado de descobrir que não seria jogadora profissional de vôlei (pouca altura para a época em que não existia a posição de líbero) mas ainda cultiva paixão extrema pelo esporte.

“Fui treinar e encontrei um ambiente que despertou neuroses. As meninas eram muito mais magras do que eu, tinham o corpo fininho. Minhas coxas grandes e quadril largo me fizeram sentir gorda”, lembra.

Entre os supinos e outros aparelhos, Clóe optou também por dietas malucas que não favorecem a saúde. Só comia legumes cozidos em água, ficava em jejum horas e tinha dias que perdia o controle e comia oito bombons em sequência. Nunca chegou a desenvolver um transtorno alimentar, mas até encontrar a faculdade de Educação Física, aos 19 anos, brigou com a balança e com o efeito sanfona. “Quando comecei a estudar nutrição, treinos e a metodologia do exercício, vi que não precisava me sacrificar tanto para chegar ao corpo ideal.”

Clóe tornou-se professora de ginástica, casou, engravidou de gêmeos e descobriu a carreira de personal trainer. Foi quando acabou o primeiro casamento, e a grana para pagar as contas ficou curta, que ela entendeu que poderia viver só das aulas personalizadas. “Foi um momento de ruptura, mas que abriu portas e deu um up grade na minha profissão”, avalia.

Para sobreviver e cuidar das duas crianças, a Jade e o Luan, ela conciliava a função de personal com a de coordenadora em uma academia. “Mas meus filhos estavam crescendo, eu tinha pouco tempo para ser mãe e escolhi ficar só com a função de personal.”

Nesta época, ela já havia conhecido o segundo marido e percebido que as emoções se manifestam fisicamente. O novo matrimônio também entrou em crise e ela chegou a pesar 49 quilos. O emagrecimento repentino ameaçava as formas recuperadas pós gravidez e olha que Clóe teve de esperar 12 meses para ver a barriga voltar ao normal após a gestação. “Um dia pulei de para-quedas e resolvi dar uma guinada na minha vida. Pedi o divórcio de novo e fui recomeçar mais uma vez.”

A dedicação aos alunos que a contratavam como personal eram um porto seguro. Sabia que apesar das inconstâncias, ela fazia o que mais gostava na vida. Por isso, até hoje, ela começa a sua ginástica pessoal às 21h30 na academia que fica no térreo do prédio onde mora (em São Paulo). Nesta sala, ela elabora a sequência de exercícios que vai oferecer aos clientes, nas alternativas de malhação para aqueles que são extremamente sedentários (e reclamam de tudo) e onde termina a noite correndo na esteira entre 5 e 10 quilômetros para extravasar. “Amo correr e, de certa forma, levo essa paixão aos meus alunos”, comenta.

Além dos exercícios físicos, Clóe também sabe da importância da alimentação, ainda mais para ela que descobriu um problema na tireóide e engordou três quilos em apenas dois dias. “Preciso de controle e não privações. Como quando tenho fome, janto uma comidinha bem leve (sopa ou sanduíches integrais) e quando exagero, compenso nos exercícios.”

Ser personal trainer para Clóe é viver com a possibilidade dos alunos – e das mensalidades que eles pagam – sumirem nos meses de férias. “Mas é também participar das mudanças tão importantes das pessoas que perdem 30 quilos em um ano, voltam a sorrir e ter disposição para subir escadas e viajar pela primeira vez”, complementa.
De namorado novo (após um feliz reencontro com o primeiro técnico de vôlei, 23 anos após o último contato, que de ídolo virou companheiro), Clóe acredita que a melhor coisa que ela pode fazer pelas pessoas é levar o prazer do exercício para quem acreditou viver eternamente no sedentarismo. Às mulheres, ela também ensina que não é preciso ser uma estrela de TV para ter formas esculturais.

“Olhar no espelho e se gostar é o primeiro passo. Depois é malhar e aceitar que o quadril largo não é defeito.” Simples assim.

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